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O Grau Zero do Começo

Atualizado: há 3 dias

Netuno e Saturno em Áries, criatividade, renúncia e a travessia para uma vida mais autêntica




1. Um sinal na manhã: o beija-flor e o céu auspicioso

Página matinal do dia 20 de fevereiro de 2026.


Hoje, ao sair do banho, nesta manhã de céu auspiciosíssimo, sob o alinhamento de Netuno com Saturno no grau zero de Áries, um beija-flor pousou na minha copa e, logo depois, saiu pela janela da cozinha.

Acho que ele queria me dizer que seu bebedouro estava vazio — e estava mesmo. Enquanto eu abria a porta da cozinha, já pensava no tema da minha página matinal. E então, o insight chegou.


2. A parte da jornada que ninguém conta

Existe uma parte da jornada que quase ninguém conta. Esse foi o insight. A parte da renúncia para conquistar algo. A parte das dificuldades internas e externas, dos famosos perrengues. Essa parte silenciosa, pouco romantizada, muito envergonhada, mas absolutamente decisiva.


3. Criatividade e medo do desconhecido

Ao sentar-me para escrever, como ritual diário, abri o livro O Caminho do Artista em busca de inspiração. Sabe, eu gosto de frases que funcionam como vento: que chegam trazendo direção, imagem e sentido. E ali encontrei uma frase sublinhada de verde:


“Muito do medo da nossa criatividade tem a ver com o medo do desconhecido. Se eu for plenamente criativa, o que vai acontecer? O que acontecerá comigo e com os outros?”

Esse foi o grande insight do dia. Mudar a forma como pensamos e agimos afeta tudo ao redor: família, comunidade, sociedade — e, principalmente, quem caminha ao nosso lado, o companheiro de barraca. Quem já avançou costuma apoiar. Mas quem ainda não teve coragem de se arriscar pode não reconhecer nosso gesto — mesmo quando ele é simples mas radical: queimar o sofá para caminhar, mudar hábitos, escolher outro ritmo de vida.


Clique no link acima ou aqui e veja Por que queimar o sofá funciona

4. Má vontade, preguiça e o desconhecido em nós

Então, pensando com meu neocórtex (ainda intacto), percebo que muitos adiamentos, autossabotagens, preguiça e má vontade — e, sim, má vontade é do mal — têm raiz no desconhecido que habita em nós. Agora uma pergunta que exige coragem para levá-la a sério. Você já encarou a sua má vontade?Já olhou de frente para a preguiça? Para essa parte que diz “eu não consigo” e se coloca como vítima? Confesso: não é confortável.


5. O que precisa morrer para que algo nasça

Porque, se almejo correr uma maratona, não basta o corpo: que habilidades internas preciso sustentar? Se quero aprender música, que partes em mim precisam morrer para que a estudante possa nascer? Estar diante da preguiça é, de fato, desconfortável. Mas, se intenciono mudar, preciso encarar esse desconforto. Tipo levantar do sofá e fazer ao menos alguns polichinelos. E a auto-observação continua.

Se quero ser menos reativa e mais equânime, o que precisa ser deixado para trás — ou acolhido com compaixão — para que uma versão mais calma e livre possa emergir?

É preciso olhar para a sombra reativa, reconhecer o desconforto e atravessá-lo.


6. O cerne: onde adiamos a nós mesmos

É aqui que tudo converge. No cerne. No centro de nós mesmos. No ponto exato em que adiamos a própria felicidade e autenticidade. Chegar a esse lugar não é simples. Por isso existem tantos adiamentos — nunca é só uma coisa. São camadas complexas que nos arrastam, nos atrasam e, ao final do dia, nem percebemos a lama em que estamos chafurdando.

E talvez você se pergunte: como chegar a esse cerne? Bom, eu também queria saber. Por que não aguento mais adiar minha ida a Paris. Brincadeira. Só porque Paris, para mim, é símbolo. É o sol. É o direito de sonhar grande.


Se posso sonhar grande, por que sonhar com a poeira da sola do meu tênis?

7. A queda iniciática: Alice e Neo

Mas há imagens que me levam para esse lugar. Nosso centro. Refiro-me a imagem de Alice, no País das Maravilhas, caindo na toca do coelho. E a de Neo entrando no carro da Trinity, no filme Matrix, rumo à nave Nabucodonosor.

A partir dali, não há retorno sem transformação. Alí é onde o treinamento começa. Na toca do coelho na nave.


8. Renúncia, luto e o velório simbólico

Para pausar — temporariamente — essa reflexão que não termina aqui, reconheço:

Para me tornar plenamente criativa, para me tornar outra pessoa, preciso suportar a renúncia. Para me tornar plenamente criativa, para me tornar outra pessoa, preciso suportar a renúncia. Renunciar não apenas às distrações externas, mas aos hábitos que me impedem de crescer. Isso exige um velório simbólico. Enterrar o que adia nossa felicidade — com direito a luto e a recaídas. Como quem para de fumar e ainda sente vontade. Acontece. Quem nunca?


9. Netuno e Saturno no grau zero de Áries: o chamado

Hoje 20 de fevereiro é um dia auspicioso. O alinhamento de Netuno com Saturno no grau zero de Áries simboliza o encontro entre sonho e estrutura no ponto exato do início. Hoje é dia de intencionar.


Que Netuno dissolva, sensibilize e revele o invisível: o dom, o mapa do caminho, a coragem de seguir até o centro. Que Saturno delimite, responsabilize e dê forma à nossa melhor versão. No grau zero de Áries — o grau do nascimento — somos convidados a transformar intuição em compromisso e visão em ação concreta.

10. Enterrar, transmutar e celebrar

Intencionar que o que já cumpriu seu papel vá para debaixo da terra — virar adubo, transmutar, morrer. Para que não adiemos mais a nós mesmos. E, ao mesmo tempo, celebrar. Celebrar o que temos de bom. O que já fizemos de bonito. Nossa resiliência. Os amigos que nos sustentam. Brindar a isso tudo. Hoje é um momento significativo. Um compromisso simbólico de servir ao Mistério e ao Cosmos — que, de tempos em tempos, se realinham e neste momento aproveitamos para fazer a nossa parte.




 
 
 

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